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25 de agosto de 2008

Pioneirismo e muita carpintaria *
O 'ensaio corrido' do Net


Desbravadores, empreendedores e aventureiros de todos os tipos vêm de longe. Trazem material de construção e variadas mercadorias para mascatear na mais nova capital da jovem república: Bello Horizonte.

O casarão de 1904: empório, mascates e comunicação
(Foto: divulgação Net)

Antes da longa aventura do regresso, uma parada no empório que funciona no andar térreo do amplo casarão, na esquina da rua da Bahia com rua dos Timbiras, para guarnecer os alforjes com os víveres imprescindíveis ao retorno. Ali os homens proseiam, transmitem idéias e histórias.


Túnel do tempo

Tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal desde 2000, o imóvel segue a vocação e continua sendo um pólo disseminador da comunicação. Será que, olhando a antiga fotografia, as irmãs Daniela, 10, e Maria Francelina Alves, 9, pensam nisto agora ? Exatamente agora, no momento em que fazem a inscrição para o curso de teatro infantil ? “A Maria é tímida, não queria. Eu e mamãe insistimos com ela, depois que vimos a propaganda do Net na Tv”, conta Daniela, em meio a um sorriso interminável.

No casarão, os sorrisos de Maria Francelina e Daniela Alves comunicam

(Foto: AC)

O cheiro é de teatro, alunos e alunas transpiram teatro e parece que à qualquer momento soará a terceira campainha anunciando a abertura da cortina e o início da função. As grandes salas têm hoje palcos e espaço suficiente para abrigar vários praticáveis (sólidos geométricos multi-funcionais) que serão, na imaginação e no exercício diário da arte teatral, tudo o que as meninas imaginarem ser. Daniela e Maria são duas, entre os mais de 600 alunos e alunas do Net – Núcleo de Estudos Teatrais, fundado em 1980 pelo ator, diretor e professor José Márcio Corrêa.

Mais de 600 alunos matriculados
(Foto: divulgação Net)


Ásperos tempos e a luz no fim do túnel


Aos 48 anos, José Márcio conversa sobre o Net com um carinho especial. “Temos quatro cursos: iniciação teatral, curso extensivo, teatro infantil e curso de férias. Variadas faixas etárias misturam-se, interagem, trocam experiências. Desde os pequenos de seis anos até a turma da terceira idade. Quase todos os professores e professoras formaram-se aqui”, orgulha-se Corrêa.

E, realmente, há motivo para orgulho. Márcio foi tomado pelo teatro ao ser convidado para participar de uma montagem de Morte e Vida Severina, um auto clássico de João Cabral de Melo Neto. Desde então o teatro e a formação teatral tornaram-se o moto da vida do ator. É com emoção que ele explica a razão de ser da escola: “Um lugar onde a gente possa ensinar teatro, fazer teatro, difundir o teatro em todas as suas manifestações”.

José Márcio Corrêa: "Ensinar teatro, fazer teatro, difundir teatro"
(Foto: AC)

José Márcio realizou o sonho pelo qual luta desde 1980, em espaços emprestados, alugados, até conseguir o casarão histórico de 1904. Atualmente o Net também conta com um teatro para 150 pessoas. “A gente deu duro numa época em que até para encenar um texto era necessária a aprovação da censura. Os artistas eram discriminados, ter uma escola de teatro, então...”, diverte-se o diretor ao relembrar a época árdua. A escola superou as dificuldades e atravessou o tempo. São 28 anos de Net. Só a peça Quem rir por último é retardado, em cartaz há 12 anos, atraiu cerca de um milhão de espectadores pelas mais de 100 cidades por onde passou. É o grupo A turma do quem ri, formado dentro do Net, assim como artistas e celebridades de expressão nacional: Gorete Milagres, Jackson Antunes, Natália Guimarães, Alberto “Big Brother 7” Cawboy, Totonho (da dupla de atores e humoristas Cajú e Totonho), os irmãos César Menotti e Fabiano e Daniel de Oliveira, entre tantos outros talentos, incluindo-se aí profissionais de variadas áreas que percebem no teatro um diferencial para a atuação diária, como jornalistas e apresentadores, por exemplo. “O teatro é mais que palco, luz e visibilidade. Muito mais que fama. É troca, desenvolvimento da criatividade, comunicação, expressão, socialização e cultura. Todas as pessoas deveriam fazer teatro como forma de aprimorar a convivência. A vida seria bem melhor. O que é vivido no teatro, leva-se por toda a vida”, garante José Márcio Corrêa.

Teatro além da fachada, para as irmãs Alves
(Foto: AC)

As meninas ? Continuam encantadas. Sonham com Pluft, Maroquinhas, cebolinhas raptadas, bruxinhas boas e cavalinhos azuis. Cada vez maiores, os sorrisos já iluminam e contagiam a secretaria da escola. As fichas de inscrição estão prontas e as irmãs Alves só querem começar, sem perceber que já o fizeram. A partir de agora há muito o que andar. Sim, há Maria Clara, mas há também Gil Vicente, Martins Pena, Vianinha, Moliére, Ibsen, Stanislavski, Guarnieri, Boal, Pirandello, Zé Celso... Muito prazer, serão apresentadas à Cacilda, Bibi, Dulcina, Ziembinski, Mme. Morineau, Rossi, Procópio e Sérgio Brito. O mundo, meninas, abriu as portas; digam baixinho (e em francês, para não assustar a ninguém que não seja do meio): merde !, e fiquem à vontade.


Serviço

O Net – Núcleo de Estudos Teatrais – funciona no bairro de Lourdes: rua dos Timbiras, 1605, esquina com rua da Bahia.

Telefone: 3222-1010

Site: www.teatrodonet.com.br

Os cursos custam, em média, R$ 59,00


(* Matéria originalmente feita para o Jornal Edição do Brasil)

25 de maio de 2008

Esquinas, confluências, etc

Um sonho que não envelhece



No ano em que o álbum Clube da Esquina comemora 36 anos, o panorama musical brasileiro demonstra que aquela turma fez história. E gerou apóstolos. Todos influenciados pelo mesmo sopro divino que, num momento no ano de 1972, determinou: faça-se ! Hoje, Skank, Wilson Sideral, Afonsinho, J.Quest, outros Borges e outros Guedes e tantos mais que banharam-se nas doces águas do Clube da Esquina sabem bem que “os sonhos não envelhecem”.


(Foto: Cristiano Quintino)

Telo Borges: "Tudo é fusão"


Telo Borges, ganhador em 2004 do prêmio Grammy Latino com a canção Tristesse, composta em parceria com Milton Nascimento, resume bem os segredos da música mineira: “É a harmonia que vem das montanhas, mas temos mais. Temos a melodia, a poesia de um Chico (Amaral), Fernando Brant, de Ronaldo (Bastos), do Marcinho (Márcio Borges), do Murilo (Antunes)... Na verdade a música mineira bebeu caladinha em todas as fontes. Tudo é fusão”, esclarece.


Caleidoscópio democrático


Foi nos bailes da vida do grupo Evolusamba (Marilton Borges, Milton Nascimento e Wagner Tiso) que o destino juntou os Borges com Milton e no Edifício Levy, centro de Belo Horizonte, onde moravam, construía-se a MPB. Foi lá que as escadarias acústicas soaram novas e excitantes ao encantado menino Lô Borges em seu encontro com Milton Nascimento. Assim foi a gênese do Clube da Esquina, supra-sumo caleidoscópico que eclodiria no início dos anos 70.


A amizade entre Márcio Borges e Milton Nascimento sublimou as imagens e a beleza do filme “Jules et Jim” (no Brasil, Uma Mulher Para Dois) de François Truffaut, assistido por ambos. Tudo acabou misturando-se no democrático cadinho cultural: o batuque negro das senzalas mineiras, os ecos barrocos, as novas ruas asfaltadas do centro da cidade, o rock inglês dos Beatles, o samba-canção, a toada e o jazz.


(Foto: Juvenal Pereira) Em pé, entre JK e Milton Nascimento, Márcio Borges

Sentados, da esquerda para a direita:
Lô Borges, Fernando Brant, JK e Milton Nascimento


Na poesia e na sonoridade do Clube da Esquina encontram-se todas as verdades engasgadas de uma geração que sentiu na pele e na alma os efeitos do AI-5. No LP de 1972 (sim, Lp, Long-play, o bolachão negro de vinil, antecessor dos cd's) encontra-se uma enorme confluência de esperanças, desejos e sentimentos: paz, amor, liberdade, solidariedade, honradez. O gás lacrimogêneo, os “ratos soltos na praça”, o amor e a dor, tudo lá, devidamente amalgamado numa identidade própria.


(Foto: Cristiano Quintino)

Toninho Horta e Beto Guedes


Vigiando a lua


Os talentos juvenis de Lô Borges e Beto Guedes juntaram-se a Milton, Márcio e outros numa casa em Mar Azul, Niterói, RJ. Foi uma reunião de amigos queridos, a galera dos anos 70 que curtia samba, Folia de Reis e rock'n'roll. Descobrindo e descobrindo-se. Concentrados como “o clube deles lá, o Clube da Esquina...”, como os batizou a saudosa Dona Maricota, matriarca dos Borges.


(Foto: Cristiano Quintino)

Milton Nascimento, Lô Borges e Ronaldo Bastos


É que nos tempos do bairro de Santa Teresa, havia uma turma vigiando a lua: violão, poesia e vida numa esquina mítica, entre o paraíso e o divino.


Museu Clube da Esquina


"Eu sonhei que estava num museu do Clube da Esquina, de arquitetura simples, mas genial, desenhada pelo Veveco (o já falecido arquiteto Álvaro Hardy. Amigo e cozinheiro nos encontros da turma). Tinha um espaço que era réplica da boate Berimbau, onde certa noite de1964, eu e Bituca (Milton Nascimento), ele com 21 anos, eu com 18, juramos ser amigos para sempre e servir às causas certas com nossa música e nossa arte. Foi um sonho tão lindo que agora quero me dedicar à sua realização”, é o que afirma o letrista Márcio Borges. Aos poucos, o sonho torna-se realidade. Liderados por Márcio, um grupo desenvolve o Museu Clube da Esquina na internet.


(Foto: Cristiano Quintino)


Márcio Borges: "Eu sonhei que
estava num Museu do Clube da Esquina..."


O site oferece uma rádio virtual, fotos, vídeos, letras comentadas, depoimentos e histórias contadas por Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Marilton Borges, Cristiano Quintino, Flávio Venturini, Ronaldo Bastos, Murilo Antunes, Wagner Tiso, Chico Amaral, Toninho Horta, Fernando Brant, Telo Borges, Fredera, Novelli, Luis Alves, Robertinho Silva, Nivaldo Ornellas, Tavinho Moura e tantos outros que construíram os caminhos do Clube da Esquina.


O empenho, agora, é transformar em real, a virtualidade.


Ouça AQUI, Clube da Esquina nº 2


Clique AQUI para visitar o
Museu Virtual do Clube da Esquina


(Matéria originalmente feita para o Jornal Edição do Brasil)

14 de abril de 2008

Cultura encravada
no centro da cidade


Palácio das Artes: referência nacional



No oásis do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, o Palácio das Artes (PA) parece frutificar cultura. Quase quarentão (foi inaugurado em 1971), o maior espaço multi-cultural da cidade segue firme em sua tarefa disseminadora da arte. Seus 18,5 mil metros quadrados abrigam uma diversidade que vai do Centro de Formação Artística (Cefar) às Galerias; do Cine Humberto Mauro ao Grande Teatro, com capacidade para 1700 espectadores.

Oásis no parque, no meio da selva urbana
(foto: internet, autoria não identificada)


O gigante cultural não tem apenas a função de representar cultura: também cria e incentiva. Os editais para utilização de suas salas, teatros, galerias e jardins comprovam a vocação: são disputados palmo-a-palmo por artistas das mais variadas orientações e por alunos e ex-alunos do Cefar.


A programação do PA conta também com a participação dos Corpos Artísticos da casa. A vantagem é dos belorizontinos, que podem assistir o virtuosismo do Coral Lírico de Minas Gerais, da Companhia de Dança do Palácio das Artes e da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Enganam-se, entretanto, os que imaginam terminar aí as formas de representação cultural.


Ainda há os Jovens Talentos: Coral Infantil, Ballet Jovem e Orquestra Jovem. Acabou ? Longe disso. Nada acaba no PA. É um ciclo que conta ainda com shows musicais diversos, óperas, festivais de cinema, teatro, palestras e mostras de artes plásticas, como a recente exposição Gringo Cardia de Todas as Tribos, que levou 30 mil visitantes em pouco mais de um mês de permanência na Galeria Alberto da Veiga Guignard.


Galeria Genesco Murta
(foto: FCS/PA divulgação)


A Grande Galeria homenageia um gênio: Alberto da Veiga Guignard
(foto: FCS/PA divulgação)


Usina cultural


Tudo impressiona, os números são grandiosos. A presidente da Fundação Clóvis Salgado – que administra o Palácio das Artes e a Serraria Souza Pinto – Lúcia Camargo, deixa escapar uma ponta de orgulho quando projeta-se a imagem do PA no cenário nacional. “Encontramos em todo o país, e, mesmo, no exterior, artistas formados aqui, ou que têm no Palácio a sua referência. É a 'Escola Mineira de Espetáculos' que não existe no papel, mas imbrica-se em toda a cultura nacional”, afirma.


Grande Teatro: 1700 lugares para o melhor da cultura brasileira
(foto: internet, autoria não identificada)


Aliás, ela é expert em produção cultural. Jornalista e pedagoga é apenas um preâmbulo. Sob o compromisso e a sensibilidade de Lúcia Camargo ainda estiveram – entre várias outras atribuições – a Secretaria de Estado de Cultura do Paraná, a Secretaria Municipal de Cultura de Curitiba, a direção artística do Theatro Municipal de São Paulo e a presidência da Rádio e TV Educativa do Paraná.


Lúcia Camargo põe a experiência em trabalho constante a favor da cultura
(foto: Paulo Lacerda/FCS/PA)

Então Lúcia é um ser eminentemente político ? Crassa falha de avaliação. O mais adequado seria Ente Cultural. Ao confrontar Lúcia com seu histórico profissional, o que ganha destaque é a interseção. É dessa metáfora matemática que brota a simplicidade objetiva que norteia a administração da Fundação Clóvis Salgado. “A importância dada pela secretária estadual de Cultura, Eleonora Santa Rosa, ao PA é a de uma usina geradora de cultura. Nossa função não é só informar; é, sobretudo, formar platéias competentes. Propiciar todo tipo de manifestação artística. Além do trabalho que se vê entre as paredes do PA, há toda uma circulação dos Corpos Artísticos e do acervo pelas cidades mineiras”, define Lúcia Camargo.


Para todos


Geralmente, a boa arte é associada ao custo alto. Os grandes espetáculos em turnê, sobretudo de teatro e música popular, têm preços salgados. Lúcia Camargo esclarece que há duas características a ressaltar. A primeira é a do aluguel dos espaços do Palácio das Artes, que corresponde a 70% da ocupação anual. “Nós não definimos os valores dos ingressos nesses casos, apenas fazemos cumprir os descontos legais para estudantes e idosos. No entanto, temos que lembrar de que o aluguel dá sustentabilidade às demais atividades artísticas, bem como à própria administração financeira”, esclarece.

O segundo aspecto do qual fala Lúcia Camargo ocorre em decorrência do primeiro: os 30% restantes da ocupação da casa são, de certa forma, subsidiados. É isso o que possibilita a característica popular, geralmente esquecida pelos críticos. A programação do mês de abril, por exemplo, tem preços pra lá de convidativos a qualquer tipo de público, isso sem falar nos espetáculos de altíssimo nível com entrada franca, propiciados, principalmente, pelos mantenedores da Fundação Clóvis Salgado, notadamente a Vale, a Usiminas, a Cemig e a Tim.


Saborosas confidências


O universo do PA comporta ainda livraria, café, biblioteca, musicoteca e loja. A Usina Cultural também atua em parceria com universidades, desenvolvendo cursos de pós-graduação na área de gestão cultural e promove atividades lúdicas nas áreas de música, artes visuais e dança.

Antes de encerrar, Lúcia Camargo faz duas confidências. Entre os dias 1º e 4 de maio, o Palácio das Artes terá a Semana do Trabalhador: todos os espetáculos da programação terão ingressos a R$ 1. Já para 2009, está bem encaminhado o projeto
Ano França-Brasil, com programação cultural variada que propiciará não só um passeio pela cultura francesa, como também o intercâmbio cultural. “Não há o que inventar: tudo é trabalho, garra e entusiasmo. Sempre atuando com uma equipe competente”, define a presidente da Fundação Clóvis Salgado.


Confira AQUI a programação do PA.


Em todos os espetáculos pagos prevalece
a meia-entrada, de acordo com a lei.


Para maiores informações,
o telefefone do PA é (31) 3236-7400,
ou consulte o
site.



(Matéria originalmente feita para o Jornal Edição do Brasil)


23 de março de 2008


Dedo de Prosa: um programa bem família *

(Foto: divulgação)


Respeito, carinho

e promoção da terceira idade


Quem nunca assistiu o Dedo de Prosa deveria começar a pensar em rever conceitos. Único programa da televisão brasileira voltado para a terceira idade, a atração é produzida em BH e apresentada em rede nacional.


O mineiro Juarez Elisiário está no ar há quase oito anos e é conversando com o jornalista que percebe-se a razão do sucesso do programa. Afinal de contas, valorização, inclusão e respeito não são artigos facilmente encontrados na mídia. “A gente só vê falar no idoso em propagandas de turismo e de crédito consignado, um absurdo”, indigna-se Juarez. Segundo o comunicador, a televisão brasileira não tem interesse na realidade do ser humano.

“Realidade tem ruga, tem mãos trêmulas, as vezes precisa de aparelhos para facilitar a locomoção, mas também tem os olhos fundos do
conhecimento e as mãos calejadas de trabalho”, ensina Elisiário.

(Foto: divulgação)
Juarez Elisiário: MELHOR IDADE na mídia

O artigo 24 do Estatuto do Idoso determina que os meios de comunicação mantenham programação dedicada a esse segmento da população. Quando a lei entrou em vigor, em janeiro de 2004, o programa já havia completado 3 anos no ar. Pode-se dizer que Elisiário estava, pelo menos, 480 km na frente. Não é apenas a distância entre a capital e a cidade de Capelinha, onde nasceu. É muito mais. Representa a trajetória de um idealista que traz a certeza da missão que deve cumprir. As constantes visitas à terra natal sempre remetiam aos encontros de família, nos quais a presença da Tia Ana e dos avós maternos, César e Flor de Maio, alimentava o jornalista com um propósito: o respeito pela idade da experiência.


Capelinha-MG: assista aqui a primeira parte do documentário "Causos" e aqui, a segunda.


Assista um trecho do DEDO DE PROSA


(Foto:divulgação)
Plenitude como forma de promoção
da Terceira Idade



Quando a colcha vira rede


Não há segredo no sucesso do Dedo de Prosa. É a sinceridade, a simplicidade e a dedicação que transmitem o desejo de fazer sempre melhor. O público percebe e projeta suas esperanças no programa.


Também apresentado no rádio, o Dedo de Prosa tem seu ponto alto nos quadros especiais (reflexão, notícias, Estatuto do Idoso, etc) e nas músicas dos bons tempos, valorizadas no programa. Isso sem falar na participação direta do ouvinte.


O Dedo de Prosa na TV, embora com linguagem diferente, mantém o foco na manifestação cultural. As caravanas que lotam o estúdio apresentam danças, músicas e muito trabalho produtivo. “A participação do público não é meramente estrutural: funciona como uma alavanca que gera o sentimento da possibilidade. É uma bola de neve. Ao ver-se representado na TV, o idoso recebe o incentivo para fazer igual”, explica Juarez.


(Foto: divulgação)

Colcha da Fraternidade alavanca

o efeito BOLA DE NEVE


Esse efeito “bola de neve” é percebido na Colcha da Fraternidade. Todos os dias a produção recebe cartas dos mais diversos locais do país com dezenas de quadrados feitos em tricô que são unidos por uma voluntária. O resultado final, sob a forma de lindas colchas, é remetido para instituições variadas em diferentes partes do Brasil. Assim, o que era colcha transforma-se em rede. Rede de incentivo e solidariedade. Quatro dessas colchas já foram entregues para pessoas muito especiais: Dom Serafim Fernandes de Araújo, na época arcebispo metropolitano de Belo Horizonte; Dom Walmor Oliveira de Azevedo, o atual arcebispo; Dom Geraldo Magela Agnelo, então presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e nada menos do que o saudoso João Paulo II, o Papa do Povo.


Valorização do idoso: audiência conferida na praça



No Sertão do Seridó, cidade de Carnaúba das Antas (RN), a produtora do Dedo de Prosa, Rita de Cássia foi fazer a entrega de mais uma Colcha da Fraternidade. Imaginava um grupo de, no máximo, seis idosos. A surpresa foi encontrar a cidade toda enfeitada, com muita gente na rua e banda de música na praça. Que confusão ! Demorou um pouco para perceber que toda aquela movimentação era... para ela, para o programa. A cidade parou para ver a entrega solene.


Não é um causo, embora pareça. Nem tão incomum. O carinho gerado pelo Dedo de Prosa parece não ter tamanho. É o que se comprova nas cartas que chegam, como a do mineiro Mateus Nunes Coelho:

“...Quero aqui enaltecer
nossa Minas, a alterosa
que ensina a viver
só com um dedo de prosa.

Que momento de alegria,
onde a pessoa idosa
se refaz e se recria,
só com um dedo de prosa...”


Ou, ainda, em um pedido simples de atenção, feito por Maria Cézar, de Patos (PB):


“...gostaria que desse um alou para a minha tia Vicentina Cézar, que no dia 28 de outubro vae completar 103 anos de vida, totalmente lúcida. Ela não perde seu Programa Dedo de Prosa”.


É como diz Juarez Elisiário: “simples”.


Realizar é a tônica do Envelhecimento Ativo, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com Juarez Elisiário, o tempo do velhinho aposentado, de pijama pela casa, acabou. “O programa tornou-se uma alavanca no debate sobre o envelhecimento ativo. A valorização passa obrigatoriamente pela qualidade de vida”, garante Elisiário.


(Foto: divulgação)

Atividades físicas e mentais são recomendações

da OMS para um Envelhecimento Ativo


Os institutos de pesquisa podem aferir a audiência, entretanto para perceber seu calor só há uma forma: estar no meio dela. O Dedo de Prosa no Interior e o Show da Fraternidade já levaram Juarez à cidades tão culturalmente diferentes quanto geograficamente distantes: Montes Claros, Natal (RN), Arara (PB) e outras. Além disso, a Dedo de Prosa Produções promove o Encontro Nacional Dedo de Prosa da Melhor Idade. Um mega-evento que propõe uma programação variada durante alguns dias. Realizado desde 2005, o encontro repete-se em 2008. Já tem data e local: Caldas Novas (GO), entre 24 e 27 de abril.


Saiba mais sobre o 4º Encontro Nacional Dedo de Prosa da Melhor Idade clicando aqui.


Nada ocorre por acaso. O Dedo de Prosa trabalha e oferece muito. Cumpre uma tarefa social e recebe, em compensação uma dose de carinho que incentiva a produzir mais.

Seria outro sintoma do efeito “bola de neve” ?

Provavelmente: Ana Maria, primeira filha de Juarez (o segundo neném, João César, é esperado para julho), talvez seja uma das crianças mais queridas do mundo. Quando nasceu, ela recebeu cerca de 300 mimos das vovós e dos vovôs que não se acanham de, em cada carta, mandar beijos e desejos de saúde e felicidade para a ”sua netinha”.


Dedo de Prosa na mídia


Na Tv

Domingo, ao vivo, entre 16.00h e 17.00h pela
TV Horizonte e pela TV Nazaré,
de Belém do Pará.


Também aos domingos, a Rede Vida de Televisão
transmite entre 14.00h e 15.00h,
em rede nacional, o programa gravado.


A TV Horizonte também reapresenta o Dedo de Prosa
em sua grade de programação: domingo, 22.00h;
segunda, 05.00h e 11.00h; quinta, 07.00h.


No rádio

Rádio América AM (no dial: 750 kHz), em BH,
todo domingo, das 19.30h às 21.30h.


Na internet

www.programadedodeprosa.com.br


Contatos

E-mail: dedodeprosa.tv@uol.com.br


Cartas para: Rua Riachuelo, 1452, sl. 205,
Padre Eustáquio, BH/MG,
Cep: 30720-060

Telefone da produção: 31 3413-7507


* Matéria parcialmente publicada dia 22 de março, em Belo Horizonte, no jornal Edição do Brasil.



Ouça abaixo a primeira parte da entrevista gravada
com Juarez Elisiário para o programa de rádio
Companhia Legal, da Taquaril FM de Belo Horizonte.



Aqui, a segunda parte da entrevista.




(Matéria originalmente feita para o Jornal Edição do Brasil)