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16 de abril de 2007

Campina Grande (PB) de bola cheia

Pedro Ribeiro Lima e outros grandes

Pelé, consenso planetário quando o assunto é futebol, atingiu a marca do milésimo gol aos 29 anos de idade; já o atacante alemão Gerd Müller marcou 1497 vezes em 14 anos de carreira. O craque húngaro Ferenc Puskas balançou as redes mais de mil vezes, deixando o futebol em 1967, com quase 40 anos. Também quarentão, o atacante Romário segue ansioso pelo milésimo gol. E o tal Pedro da manchete acima ? Pedro quem ?

Pedro comemora o primeiro gol da carreira profissional. Foi pelo campeonato estadual da Paraíba, no dia 28 de março, uma data que ficará na história do jogador. O gol foi de pênalti, mas não adiantou muito para sua equipe, que perdeu de 5 x 1 para a Campinense. O volante é um jogador marrento, daqueles tipos que, quando substituídos, reclamam do técnico. Aliás, também o presidente do clube e o patrocinador ficam na bronca quando ele é substituído. O atleta, que tem 58 anos, 1,62 m e oitenta quilos, leva o nome completo de Pedro Ribeiro Lima e a equipe paraibana é a Associação Desportiva Perilima, que estréia em 2007 na primeira divisão do estado.

O volante Pedro

Ibis ou Tabajara ?

É exatamente o que se está pensando. O craque, além de ser o presidente do clube que leva as sílabas do próprio nome, é também o empresário que patrocina o Perilima através de uma fábrica de produtos alimentícios. O time não vai bem. Perdeu todos os jogos que disputou até agora, sofrendo inclusive uma goleada de 11 x 0 aplicada pelo Treze de Campina Grande. O perfil é similar ao do lendário Ibis Sport Club, de Pernambuco. O Perilima disputa a série principal porque, de acordo com o regulamento da Federação Paraibana de Futebol, a cada ano sobem dois times da segunda divisão. Em 2006 apenas dois times disputaram a segundona paraibana e o Perilima foi o segundo colocado. Há quem compare maliciosamente o Perilima ao Tabajara, do programa humorístico Casseta e Planeta, da Tv Globo.

Escudo do Perilima

Exemplo

Apesar de tudo, o mais velho jogador de futebol em atividade no mundo não está triste. “Sou viciado em futebol. Fico doente quando não jogo”, garante Pedro, que gasta cerca de R$ 15 mil por mês com as despesas do Perilima. O volante de Campina Grande tornou-se um exemplo de perseverança ao fundar um clube, comandar uma equipe e cumprir o sonho de ser jogador profissional. O Perilima segue o caminho de retorno à segunda divisão, mas quando a equipe da Águia de Campina Grande entra no gramado do estádio Amigão, casa do clube, Pedro e seus companheiros não demonstram abatimento. Sorriem com o orgulho daqueles que têm a capacidade de realizar.

Estádio Pres. Vargas / Campina Grande - PB

3 de abril de 2007

Nem melhor, nem pior
Tampouco (in)diferente

1,2,3,4,5,6,7 ... Chega ao fim a edição do Big Brother Brasil 7 leia... . A julgar pelos valores das cotas comerciais exclusivas, algo em torno de R$ 1,3 milhão cada, a atração continua em alta no sétimo ano de exibição. Valor endossado pelos índices de audiência - dia mais, dia menos - que o corroboram.


O programa agrega algum valor ao telespectador ? Prejudica ? De tantas verdades absolutas apregoadas, apenas um fato: desperta paixões. Há uma infinidade de opiniões, definições, estudos, defesas acaloradas. De formas diferentes atingem tanto fãs incontestes leia... , quanto àqueles que desejam estudá-lo leia... , passando, obrigatoriamente, pelo artigo acadêmico leia...

Agora a televisão terá mais um ano. A tarefa é analisar erros e acertos, remoldar, deixando tudo pronto para o próximo episódio. O público ? Esse sempre espera.


"(...) Milhares de pessoas pra manter no ar

o sonho aprisionado da menina só

que perde o seu amor

e espera da TV, que ela lhe diga

que ela lhe diga... (...)"

(Virgem dos Olhos de Vidro - Taiguara)

13 de fevereiro de 2007

O pequeno

João Hélio

foi trucidado.


Deus morreu ?



O niilismo (do latim nihil, o nada) do final do século XIX levou Nietzsche à percepção de que o mundo ocidental transpirava falência de valores. Tudo é banalizado diante da impossibilidade de transformar o ruim, de reaver idealismos. Nietzsche tinha razão ao proclamar a morte de Deus ?

Crime sem castigo

Na quarta-feira passada, um crime no bairro de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, atingiu em cheio a alma brasileira. Após dar “voz de assalto” (tempos de inversão de valores) a uma motorista, um grupo tomou-lhe o carro. Após presos, os suspeitos tentam eximir-se de culpas utilizando velhas estratégias. Tudo seria trivial, mais um assalto seguido de roubo. Notícia de jornal de bairro, não fosse a barbárie cometida contra João Hélio.

Alaor Filho/AE

Preso ao cinto de segurança, pendurado no lado de fora do carro, o menino de seis anos foi arrastado sobre o asfalto por sete quilômetros do subúrbio carioca. Morreu como um mártir da (falta) de segurança pública. Nem os rogos da mãe desesperada foram suficientes para comover àqueles a quem nada comove. Se condenados, os suspeitos cumprirão cada um, no máximo, 30 anos de reclusão, sem contar com as possibilidades de redução da pena.

A indignação não pode ser sazonal

A cada novo crime repulsivo, uma onda de manifestações sacode a sociedade. São notícia por algum tempo. Comovem. Vendem jornal e elevam índices de audiência. Entretanto não resolvem e acabam caindo no esquecimento.

Marcos DPaula/AE

Não nos comovemos mais ? A impressão é de que nada nos afeta se não nos atingir diretamente. Nem o tráfico de drogas com características estruturais de grande empresa, nem a transformação de parte das instituições de segurança oficiais do Rio de Janeiro em milícias, nem o inexplicável abuso de poder no caso da Favela Naval em São Paulo, tampouco o massacre de crianças no bairro Taquaril em Belo Horizonte (alguém ainda se lembra ?) ou o ex-deputado que serrava desafetos.

O crime institucionalizou-se. Marginais legislam, julgam e, como no caso do massacre do jornalista Tim Lopes, executam. Literalmente. É impossível discordar do jornalista (entre outras tantas ocupações) Millôr Fernandes: "O crime está na esquina e a justiça mora longe."

Sem esperança, prevalecerá o niilismo que, de tanto desvalorizar os caminhos humanos, acaba desvalorizando a própria existência, transformando-a em dor sem sentido. Talvez possa ser verdadeira a afirmação do filósofo, e Deus tenha morrido, deixando a humanidade órfã de Sua ideologia.

Talvez não: Oxalá nem todos aceitem a banalização da perversidade como meta última da existência e resistam.